24 de novembro de 2011

Vou de Bike

A iniciativa da CET – Companhia de Engenharia e Tráfego de São Paulo de demarcar novas áreas para a circulação de bicicletas no bairro de Moema é digna de aplauso.

Com o crescimento da frota de veículos na cidade; são emplacados 500 por dia, a ineficiência do transporte público oferecido tanto pela prefeitura quanto pelo governo do Estado de São Paulo, o deslocamento através de bicicletas torna-se, a cada dia, não mais uma oportunidade, mas sim, uma necessidade.

Recomendado para rotas de até 20 km, o deslocamento de bicicleta começa a ganhar corpo na cidade desde que foram implementadas as ciclofaixas de lazer aos domingos. O incentivo ao uso da bicicleta atingiu a todos os públicos, desde crianças e jovens até adultos e idosos.

Os benefícios desta prática vão desde a melhora na capacidade respiratória, afinal, pedalar é um exercício aeróbio, até a sensação de bem-estar e programas alternativos para o lazer .

Para garantir a segurança, tanto do ciclista quanto de pedestres e motoristas que circulam nessas novas áreas demarcadas na cidade é preciso refletir sobre alguns equívocos cometidos a partir da inclusão das ciclovias e ciclorotas.

Não basta apenas pintar o asfalto de vermelho e oferecer uma pista dotada de pequenas armadilhas como buracos, “costelas de vaca”, infiltrações e etc. Antes de demarcar as áreas reservadas aos ciclistas, a prefeitura deveria ter realizado uma avaliação do estado do asfalto e providenciado a manutenção necessária para oferecer uma alternativa segura de deslocamento.

Outro ponto diz respeito a nova sinalização para estacionamento dos veículos durante o período vigente de zonal azul. Como não podem parar nem estacionar sobre as ciclofaixas, os motoristas ganharam como opção deixar o veículo numa área pontilhada que invade a faixa do meio das ruas. Como resultado, motoristas desavisados não percebem que o carro da frente está estacionado e não aguardando a abertura do semáforo.

Estes equívocos cometidos pela CET colaboraram para inflamar os ânimos de moradores e comerciantes da região. Cada um, puxando a sardinha para a sua brasa, lançou fogo na nova iniciativa que, segundo a companhia, está ainda em fase de testes.

Só espero que não optem pela exclusão da ciclofaixa e ciclorota para sanar os erros de cálculo cometidos pela CET. Talvez se fossem excluídas as áreas de zona azul, ficaria mais claro para os motoristas notarem que agora, em Moema, é cada um no seu quadrado.

Sempre avaliei o sistema de tráfego na cidade como um duelo de Titãs. Pedestres, motoristas, motoqueiros, ciclistas. Todos lutam pela conquista de seus espaços, de suas faixas, de suas vias. Não há gentileza, compreensão nem sequer educação. Trata-se de uma questão de posse. Cada um acredita que é o dono daquele espaço e não o cede para ninguém. A multiplicação de ciclofaixas e ciclorotas é o início de uma longa jornada para que todos compreendam, de uma vez por todas, que o espaço é público e não privado. 

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