11 de novembro de 2011

O buraco do ensino superior

No ano passado, 49% das vagas de ingresso para novos alunos oferecidas pelas universidades, centros universitários e faculdades do país não foi preenchida. Segundo dados do Censo da Educação Superior de 2010, divulgado nesta semana pelo Ministério da Educação (MEC), as 2.377 instituições de ensino superior disponibilizaram 3.120.192 vagas em seus processos seletivos, mas o número de ingressos registrados foi 1.590.212.

De 1,5 milhão de oportunidades de acesso não preenchidas em 2010, a maioria era de estabelecimentos particulares. Ainda assim, sobraram 36 mil vagas em instituições públicas, especialmente nas municipais. Especialistas justificam que esse índice é normal porque as instituições reservam sempre um número maior de vagas junto ao MEC do que pretendem de fato preencher.

Mas, há alguns fatos que devem ser colocados para reflexão. O primeiro deles diz respeito ao aumento do número de instituições de ensino superior em todo país. Se você assiste a programação na TV, lê o jornal ou ouve o rádio, já deve ter notado o bombardeio de anúncios para fisgar o público universitário.

Pela lei de mercado, quando há aumento da oferta na concorrência, ocorre uma verdadeira guerra de preços. Não consigo imaginar que uma faculdade consiga reunir a infraestrutura necessária para atender as demandas do mercado quando oferece mensalidades a preços, no mínimo, duvidosos.  

Há hoje um verdadeiro leilão que atende aos anseios das classes C e D, ávidas pelo ingresso no ensino superior, porém desinformadas quanto aos critérios necessários para a escolha de uma instituição de ensino superior. É claro que o fator preço é determinante no bolso de qualquer cidadão, seja ela da classe A ou D. Mas, não pode ser considerado como o único critério para essa escolha tão importante.

Em contrapartida, se o mercado encontra dificuldades para preencher a totalidade das vagas, o grande desafio é, sem dúvida, evitar que aqueles que conseguem entrar abandonem o barco no meio do caminho. E nesse aspecto, dois fatores são decisivos nessa tomada de decisão: a falta de recursos para bancar a mensalidade e/ou a dificuldade em acompanhar o conteúdo em sala de aula.

O desafio financeiro pode ser amenizado a partir das ofertas de financiamento estudantil, tanto públicas quanto privadas. O alunos fica endividado, mas pega o diploma Não à toa, hoje, o principal concorrente de uma faculdade privada não é a outra instituição no outro lado da esquina, mas sim, a concessionária de veículos mais próxima.

Com parcelas de R$ 700 por mês o jovem pode, ou comprar seu carro dos sonhos para livra-se do martírio do transporte público ou investir no seu diploma pela mesma quantia mensal comprometida pelos próximos quatro, cinco ou seis anos.

Já a capacitação do aluno para enfrentar todas as disciplinas durante a graduação é um desafio, em minha opinião, muito maior que o financeiro. O índice de evasão das instituições de ensino superior vem crescendo e está cada vez mais difícil segurar o aluno dentro da sala de aula. Resultado de uma falha no sistema de educação que começa desde o ensino fundamental. Os novos ingressantes formam um perfil de aluno que não tem o hábito de estudar, não são muito chegados na coisa e não conseguem assimilar com facilidade o conteúdo aplicado. Eis uma grande bola de neve que começa bem lá atrás.

Garantir a oportunidade de ingresso no ensino superior a todos é uma atitude louvável e que merece aplauso. Ninguém duvida que o investimento em educação gera resultados positivos na formação das pessoas enquanto cidadãos e garante um futuro promissor não só para quem tem o diploma na mão. O efeito é plural.

Mas, é preciso refletir se os meios para conduzir esses jovens ao ensino superior estão corretos. Quando se cria facilidades de acesso como as mensalidades atraentes, o financiamento privado e público e uma grande oferta de instituições de ensino superior no mercado cria-se, ao mesmo tempo, dificuldades que deverão ser enfrentadas e solucionadas lá na frente para que o tiro não saia pela culatra. E aí, o custo para formar este aluno é bem mais alto do que o planejado, tanto por ele quanto pela instituição de ensino superior.

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1 comentários:

  1. Ric, querido...

    Adorei o novo layout do blog, ficou clean e bem a sua cara!!

    De verdade, curti mesmo!

    E nem sempre consigo comentar por aqui, mas saiba que admiro suas reflexões construtivas e embasadas... Toda vez aprendo algo novo!

    O ensino superior deixa diversas lacunas, principalmente aquelas a serem resolvidas a longo prazo, ainda que sejam urgentes...

    Como seria bom se o Brasil fosse um pouquinho diferente, né?

    Beijo grande, bom feriado!

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