De 1,5 milhão de oportunidades de acesso não preenchidas em
Mas, há alguns fatos que devem ser colocados para reflexão. O primeiro deles diz respeito ao aumento do número de instituições de ensino superior em todo país. Se você assiste a programação na TV, lê o jornal ou ouve o rádio, já deve ter notado o bombardeio de anúncios para fisgar o público universitário.
Pela lei de mercado, quando há aumento da oferta na concorrência, ocorre uma verdadeira guerra de preços. Não consigo imaginar que uma faculdade consiga reunir a infraestrutura necessária para atender as demandas do mercado quando oferece mensalidades a preços, no mínimo, duvidosos.
Há hoje um verdadeiro leilão que atende aos anseios das classes C e D, ávidas pelo ingresso no ensino superior, porém desinformadas quanto aos critérios necessários para a escolha de uma instituição de ensino superior. É claro que o fator preço é determinante no bolso de qualquer cidadão, seja ela da classe A ou D. Mas, não pode ser considerado como o único critério para essa escolha tão importante.
Em contrapartida, se o mercado encontra dificuldades para preencher a totalidade das vagas, o grande desafio é, sem dúvida, evitar que aqueles que conseguem entrar abandonem o barco no meio do caminho. E nesse aspecto, dois fatores são decisivos nessa tomada de decisão: a falta de recursos para bancar a mensalidade e/ou a dificuldade em acompanhar o conteúdo em sala de aula.
O desafio financeiro pode ser amenizado a partir das ofertas de financiamento estudantil, tanto públicas quanto privadas. O alunos fica endividado, mas pega o diploma Não à toa, hoje, o principal concorrente de uma faculdade privada não é a outra instituição no outro lado da esquina, mas sim, a concessionária de veículos mais próxima.
Com parcelas de R$ 700 por mês o jovem pode, ou comprar seu carro dos sonhos para livra-se do martírio do transporte público ou investir no seu diploma pela mesma quantia mensal comprometida pelos próximos quatro, cinco ou seis anos.
Já a capacitação do aluno para enfrentar todas as disciplinas durante a graduação é um desafio, em minha opinião, muito maior que o financeiro. O índice de evasão das instituições de ensino superior vem crescendo e está cada vez mais difícil segurar o aluno dentro da sala de aula. Resultado de uma falha no sistema de educação que começa desde o ensino fundamental. Os novos ingressantes formam um perfil de aluno que não tem o hábito de estudar, não são muito chegados na coisa e não conseguem assimilar com facilidade o conteúdo aplicado. Eis uma grande bola de neve que começa bem lá atrás.
Garantir a oportunidade de ingresso no ensino superior a todos é uma atitude louvável e que merece aplauso. Ninguém duvida que o investimento em educação gera resultados positivos na formação das pessoas enquanto cidadãos e garante um futuro promissor não só para quem tem o diploma na mão. O efeito é plural.
Mas, é preciso refletir se os meios para conduzir esses jovens ao ensino superior estão corretos. Quando se cria facilidades de acesso como as mensalidades atraentes, o financiamento privado e público e uma grande oferta de instituições de ensino superior no mercado cria-se, ao mesmo tempo, dificuldades que deverão ser enfrentadas e solucionadas lá na frente para que o tiro não saia pela culatra. E aí, o custo para formar este aluno é bem mais alto do que o planejado, tanto por ele quanto pela instituição de ensino superior.
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Ric, querido...
ResponderExcluirAdorei o novo layout do blog, ficou clean e bem a sua cara!!
De verdade, curti mesmo!
E nem sempre consigo comentar por aqui, mas saiba que admiro suas reflexões construtivas e embasadas... Toda vez aprendo algo novo!
O ensino superior deixa diversas lacunas, principalmente aquelas a serem resolvidas a longo prazo, ainda que sejam urgentes...
Como seria bom se o Brasil fosse um pouquinho diferente, né?
Beijo grande, bom feriado!