8 de novembro de 2011

Em qualquer canto

Já repararam como a miséria se tornou uma commoditie no Brasil?

Não há nada mais valioso neste país do que a miséria. Tanto para o miserável quanto para quem o alimenta. Nosso crescimento ocorre às custas de programas de assistencialismo, patrocinados pela classe média, que é quem mais paga impostos e menos se beneficia deles.

Ser miserável no Brasil já está virando até um grande negócio. Pense comigo. Bolsa emprego, bolsa família, bolsa dentista, bolsa médico, bolsa, bolsa e mais bolsa. Nunca antes na história deste país o assistencialismo foi tão eficaz.

Miséria, miséria, em qualquer canto. E nós aqui, petrificados pelo olhar da Medusa, bancamos essa eficaz ferramenta que impulsiona o país, que permite que estudantes das classes D e E ingressem nas faculdades a partir de financiamentos públicos.

Nada contra essa iniciativa. Acho fantástico promover iniciativas que permitam o ingresso no ensino superior, mas, estes alunos não conseguem sequer sair do ambiente acadêmico. Não é à toa que a taxa de evasão nunca foi tão grande, ou seja, os estudantes entram na faculdade, mas não agüentam a carga despejada e abandonam o barco antes de pegar o canudo.

Do outro lado, ecoam movimentos de que o Brasil só dará certo com o investimento em educação. Não que eu discorde. Acredito que quanto mais educado, menos um povo é capaz de eleger palhaços, coronéis, atrizes pornôs e por aí vai. Mas esse discurso eu ouço há muito tempo. Há quanto tempo você ouve que o Brasil é o país do futuro? Cadê esse futuro que nunca chega, minha gente?

Esse futuro jamais vai chegar. E é muito conveniente que ele nunca chegue. E aí, voltamos na questão da miséria. A miséria compensa, de novo, tanto para o miserável quanto para quem o alimenta. A miséria dá voto, dá esperança, a miséria brilha uma estrela, a miséria paga salário de sindicalista até dele se tornar presidente. A miséria é aqui, minha gente. Hoje e sempre. 

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