8 de novembro de 2011

A Cura

Não trate apenas dos sintomas, tentando eliminá-los sem que a causa da enfermidade seja também extinta. A cura real somente acontece do interior para o exterior.

Sim, diga a seu médico que você tem dor no peito, mas diga também que sua dor é dor de tristeza, é dor de angústia.

Conte a seu médico que você tem azia, mas descubra o motivo pelo qual você, com seu gênio, aumenta a produção de ácidos no estômago.

Relate que você tem diabetes, no entanto, não se esqueça de dizer também que não está encontrando mais doçura em sua vida e que está muito difícil
suportar o peso de suas frustrações.

Mencione que você sofre de enxaqueca, todavia confesse que padece com seu
perfeccionismo, com a autocrítica, que é muito sensível à crítica alheia e
demasiadamente ansioso.

Muitos querem se curar, mas poucos estão dispostos a neutralizar em si o
ácido da calúnia, o veneno da inveja, o bacilo do pessimismo e o câncer do egoísmo.

Não querem mudar de vida. Procuram a cura de um câncer, mas se recusam a abrir mão de uma simples mágoa.

Pretendem a desobstrução das artérias coronárias, mas querem continuar
com o peito fechado pelo rancor e pela agressividade.

Almejam a cura de problemas oculares, todavia não retiram dos olhos a
venda da maledicência.

Pedem a solução para a depressão, entretanto não abrem mão do orgulho
ferido e do forte sentimento de decepção em relação a perdas
experimentadas.

Suplicam auxílio para os problemas de tireóide, mas não cuidam de suas
frustrações e ressentimentos, não levantam a voz para expressarem suas
legítimas necessidades.

Imploram a cura de um nódulo de mama, todavia, insistem em manter
bloqueada a ternura e a afetividade por conta das feridas emocionais do
passado.

Clamam pela intercessão divina, porém permanecem surdos aos gritos de
socorro que partem de pessoas muito próximas de si mesmos.

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1 comentários:

  1. Quem dera pudéssemos ter sempre a sabedoria de associar as dores do corpo às da alma, querido...

    Certamente, gastaríamos bem menos dinheiro em consultas médicas! Um pouco mais em terapia, talvez... rs!

    Ultimamente, tenho preferido escrever para economizar o dinheiro de ambos, como ensina nossa grande e querida Flávia Queiroz (colunista do Retratos)...

    E rir, na minha opinião, continua sendo um maravilhoso remédio!

    Beijos!! Adorei!

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